<Captação ou roubo de dados? O que pode o que não pode na utilização de informações de usuários no Facebook | Camila Porto

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Captação ou roubo de dados? O que pode o que não pode na utilização de informações de usuários no Facebook

Olá, como vai?

Muitas pessoas estão me perguntando sobre um software que capta dados de usuários no Facebook para gerar segmentações de anúncios e uma série de coisas. Muitas pessoas estão achando seus resultados muito bons utilizando esses softwares, mas sempre levo em consideração que “nem sempre o que é bom é o certo a ser feito”.

O fato é que há várias questões a serem tratadas quando se utiliza um software para captação de dados: questões de permissões da plataforma que ele rodará, trato da informação e boas práticas para termos um mercado saudável. Muitas pessoas estão achando seus resultados muito bons, mas sempre levo em consideração que “nem sempre o que é bom é o certo a ser feito”.

Em meu curso de Facebook Ads recomendo uma ferramenta de captação de dados. Mas, em minha opinião, ela automatiza a captação de dados públicos e não capta dados estendidos, o que explicarei melhor a seguir. Porém, continuarei buscando informações sobre essas ferramentas e, se for o caso, “desrecomendarei”.

Não é meu objetivo “jogar água no feijão” de ninguém. Se mesmo depois de ler esse texto você quiser usar, vá em frente e colha seus resultados. Se tem algo que aprendi ao longo de todos esses anos trabalhando com educação e marketing digital é que sempre teremos conflitos entre o que é o correto e o que dá resultado. Nem todos têm paciência de fazer o certo e esperar um pouco mais pelos resultados. Enfim, não quero julgar ninguém, apenas dar minha opinião para quem quiser ouvir.

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Permissões da plataforma

Nas primeiras aulas do Curso Facebook para Empresas mostro a importância de seguirmos as diretrizes do Facebook por uma série de motivos. O primeiro é que empresas precisam ser cautelosas nas práticas de comunicação empregadas para evitarem punições das plataformas que utilizam, bem como serem vistas como spammers, por exemplo.

Conhecer os termos de uso do Facebook é fundamental para qualquer empresa que utiliza esta ferramenta. Quando você cria sua página você assina um contrato e está sujeito a normas da plataforma. Porém, ninguém lê os termos dos serviços online que usa, o que gera desconhecimento do que estamos sujeitos.

Bem, vamos aos pontos “técnicos” dos termos de uso. O que pode e o que não pode.

Lendo os termos de uso da Plataforma do FB (algo que todos nós, que trabalhamos com Facebook Marketing deveríamos fazer com frequência) encontrei alguns pontos importantes.

Primeiro: dentre os princípios da plataforma temos:

Criar uma excelente experiência para o usuário

  • Desenvolver aplicativos sociais e envolventes
  • Conceder aos usuários escolhas e controle
  • Ajudar os usuários a compartilhar conteúdo expressivo e relevante

Ser confiável

  • Respeitar a privacidade
  • Não iludir, confundir, enganar ou surpreender os usuários
  • Não enviar spam – encorajar comunicações autênticas

Dito isso, vamos aos termos mais importantes em questão. Pelo o que li, esses termos foram redigidos para os aplicativos dentro do Facebook e não especificamente para softwares externos. Mas, várias coisas se aplicam às duas modalidades.

O ponto mais importante é que qualquer dado coletado precisa da autorização do usuário (no caso dos aplicativos). Há casos que é possível capturar dados de outras pessoas, apenas se os amigos dessa pessoa autorizarem a coleta dos dados de amigos.

Conversei com o Rodrigo Demétrio, fundador do Facileme, hoje CEO da Promovaweb, e que conhece bem os recursos da plataforma do Facebook. Segundo ele “através de apps precisa ser autorizado, só vem o ID do Facebook e a foto quando, por exemplo, um amigo autoriza a captura dos [dados dos] amigos.”

Dito isso, os termos nos dizem mais respeito neste caso são:

2. Você não deverá incluir funcionalidades que funcionem como proxy, solicitem ou coletem nomes de usuários ou senhas do Facebook.

12. Você não deverá incluir dados obtidos de nós em qualquer mecanismo de busca ou diretório sem a nossa permissão por escrito.

O que podemos fazer com esses softwares.

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No ponto II “Armazenando e usando os dados recebidos de nós”, temos mais coisas interessantes:

5. Sujeitos a certas restrições, incluindo na transferência, os usuários fornecem a você as informações básicas de suas contas ao se conectarem ao seu aplicativo. Para todos os outros dados obtidos pelo uso da API do Facebook, você deverá obter o consentimento explícito do usuário que forneceu os dados para nós antes de usá-los para quaisquer fins que não sejam exibir esses dados para o usuário em questão em seu aplicativo.

6. Você não deverá transferir, direta ou indiretamente, os dados que receber de nós, incluindo os dados de usuários ou números de identificação de usuários do Facebook, para (nem usar esses dados em relação a) qualquer rede de anúncios, troca de anúncios, mediador de dados ou outras ferramentas relacionadas à propaganda ou monetização, mesmo se um usuário consentir com a transferência ou o uso. Por “indiretamente”, queremos dizer que você não poderá, por exemplo, transferir dados a terceiros que, em seguida, transferirão esses dados para uma rede de anúncios. Por quaisquer dados queremos dizer todos os dados obtidos pelo uso da plataforma do Facebook (API, plug-ins sociais etc.), incluindo dados agregados, anônimos ou derivativos.

O ponto 8 desse tópico me chamou a atenção. Como esses softwares não são aplicativos no Facebook, vamos supor que eles não precisem de autorização para captação de dados públicos. Aí, nós temos duas coisas: dados de perfil público e dados de perfil estendido.

Sendo assim temos:

8. Se você precisar de um identificador anônimo exclusivo para compartilhar fora do seu aplicativo com terceiros, como parceiros de conteúdo, anunciantes ou redes de anúncios, você deverá utilizar o nosso mecanismo. Você jamais deverá compartilhar esse identificador anônimo exclusivo com um mediador de dados, um mediador de informações ou qualquer outro serviço que poderemos definir de acordo com os nossos critérios.

O Facebook fornece os códigos de acesso a API no link Graph API: User. Neste link temos o que são dados públicos e dados estendidos. Como dados públicos temos:

Segundo o Facebook, dados públicos são:

Quando um usuário usa seu aplicativo e você não solicitar permissões adicionais, o aplicativo terá acesso a apenas um perfil público do usuário e também a sua lista de amigos. Perfil público refere-se aos seguintes propriedades por padrão:

  • id
  • nome
  • primeiro_nome
  • last_name
  • link
  • nome de usuário
  • sexo
  • local
  • age_range

Para captar esses dados públicos não é necessário um token, apenas aprovação do usuário, no caso da utilização de aplicativos. No caso dos softwares externos, temos uma brecha que pode os incluir ou não. Aparentemente, essa brecha da aprovação é o que está sendo explorada, mas não sabemos até quando.

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Dados de perfil estendidos, segundo o Facebook, são:

Essas permissões não podem ser revogada na sessão de diálogo durante o fluxo login, ou seja, eles não são opcionais para usuários ao fazer login em seu aplicativo. Se você quer que eles sejam opcionais, você deve estruturar seu aplicativo para solicitá-los apenas quando absolutamente necessário e não após o login inicial.

Em resumo, são um segundo nível de autorização do usuário, que realmente precisa da autorização dele. Segundo o Rodrigo, “pelo jeito tradicional não deve ser possível, deve ser usado alguma técnica dark side.”

Incluem-se neste caso:

  • Páginas que ele curte;
  • Grupos que participa.

Bem, já temos alguns argumentos sobre a viabilidade dessas ferramentas que capturam dados. Mesmo que elas não estejam sujeitas aos mesmos termos dos aplicativos, que precisam de autorização, temos dois níveis de captação de dados que precisam ser respeitados.

Trato da informação

Você deve ter visto as polêmicas acerca da espionagem dos EUA. Eles captam tantos dados que não conseguem lidar com as informações que eles podem fornecer. Onde quero chegar: ter o ID da pessoa que curtiu a página X ou participa do grupo Y não é garantia de sucesso, em tese, não diz muita coisa sobre ele.

O que você faz com essa informação é o que faz a diferença. Se todos capturarem os dados dos mesmos grupos ou páginas, todos teremos os mesmos dados. Aí que entra algo que não se consegue tão facilmente: inteligência para o trato das informações.

Sem uma estratégia de preposição de valor, mensagem adequada, posicionamento e muito mais, você vai conseguir cliques mais baratos talvez, um punhado de reais na sua conta bancaria e o que mais? Lembre-se que nossos dados trafegam nas mãos de dezenas de empresas e, pela falta de trato da informação, recebo e-mails para alargamento peniano, por exemplo, e por aí vai.

Conversei com o Jon Loomer sobre esses softwares. Como sempre, ele deu uma tacada de mestre:

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 Segundo o Jon:

“Não são permitidos porque com os públicos personalizados você pode usar dados apenas de pessoas que deram permissão a você. E, eu não sei o grande benefício desses programas. Você pode utilizar públicos semelhantes, segmentar para pessoas que curtem determinadas páginas em interesses precisos, por exemplo.”

Resumindo, com ferramentas do próprio Facebook e com estratégias simples você não corre riscos e faz coisas dentro das diretrizes.

Boas práticas

Mesmo com as dúvidas em relação as permissões, que se alguém puder ajudar a esclarecer, agradeço muito, já temos alguns indícios da licitude, em relação as Diretrizes do Facebook. Por outro lado, que citei no início, temos as boas práticas de mercado. Neste ponto chegamos àquele ponto que citei: o certo vs. o mais fácil ou rápido.

Vejo com preocupação a falta de senso crítico de muitos profissionais, não só de marketing, de todos os campos. Ao verem algo que pode “quebrar um galho”, mergulham de cabeça na “solução” sem ao menos se perguntar se isso pode ou não. Não lemos termos, regulamentos, diretrizes e vamos fazendo. Mas, não é exclusividade nossa, já que esses softwares, na maioria dos casos, vêm de fora.

Muitos não se dão ao trabalho de pesquisar, saber se aquilo pode, é permitido e saem recomendando. Aí, quando acham uma forma de desviar dinheiro público ou roubar dados de cartão de crédito, condenamos, mas não nos damos conta dos “jeitinhos” que damos ou das oportunidades para mais pessoas burlarem as regras que propagamos.

Resumindo

Antes de adotar qualquer prática que vai EXPLODIR seus resultados apenas apertando um botão, que vai gerar MILHARES de qualquer coisa rapidamente, pare, investigue, tenha senso crítico.

Temos recursos suficientes no Facebook para segmentar de forma correta e de acordo com os padrões da plataforma. Precisamos aprender a pensar em como utilizamos essas informações e, se possível, pensar sem burlar as diretrizes.

Se você quiser utilizar softwares para captação de dados, já disse, vá em frente. Como dizem na minha cidade “não tenho filho desse tamanho”. Depois saímos todos juntos em busca de um país menos corrupto, onde sempre damos um jeitinho de dar um jeitinho. Continuarei estudando os termos e buscando mais informações. Como não sou desenvolvedora, certamente pode haver mais coisas por baixo dessa tonelada de termos. Se quiser me ajudar, será muito bem-vindo.

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Um abraço

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4 Comentários

  • Avatar
    JAIME GUILHERME DA SILVEIRA
    Responder

    PERFEITO A EXPLICAÇÃO!!!!

    • Avatar
      Camile Woinarski
      Responder

      Obrigada Jaime 🙂

  • Avatar
    JAIME GUILHERME DA SILVEIRA
    Responder

    PERFEITO A EXPLICAÇÃO!!!!

    • Avatar
      Camile Woinarski
      Responder

      Obrigada Jaime 🙂

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