O F-commerce e as ideias fora do lugar

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Quando pensei no título deste post, voltei a um dos primeiros textos que tive contato na faculdade: “Ideias fora do lugar”, de Roberto Schwarz, capítulo do livro “Ao vencedor as batatas”.  Na ocasião, a ideia do texto não me fazia muito sentido, mas a partir do momento em que comecei a trabalhar e me confrontar com vários pontos de vistas no mercado, este texto sempre vem à tona quando me deparo com algumas opiniões que julgo unilaterais.

A ideia do texto de Schwarz é a de que no Brasil, temos o costume de comparar laranjas e maçãs, bem como, importar ideologias, conceitos, culturas e tentar aplicá-las aqui sem modificações, como se os brasileiros fossem como os europeus, por exemplo. Assim, em linhas gerais, temos que as ideias fora do lugar são “a transferência de uma ideia válida num determinado contexto para outro em que ela não se aplica”.

Laranjas, maçãs e F-commerce

Voltando ao tema do texto, o F-commerce, tenho lido muitos artigos por aí que me preocupam seriamente com a reprodução do “complexo do vira-lata”. Isso porque, para alguns, o F-commerce é um mercado que não cresceu e, pelo o que apontam, nem irá sair do lugar. Penso de forma extremamente contrária, acredito sim, o F-commerce crescerá e muito.

Porém, os que decretam a morte prematura do mercado, fazem justamente a comparação de laranjas e maçãs, ou seja, comparam o crescimento do F-commerce com o e-commerce tradicional, que há um bom tempo se consolidou no Brasil e dezenas de outros países.

Para muitos, o F-commerce não deu certo porque as pessoas ainda preferem comprar em sites tradicionais. Há ainda quem afirme que as redes sociais não são um ambiente propício às vendas. Ok, todos têm seus pontos de vista e aqui trarei os meus.

É óbvio que o F-commerce está muito aquém quando pensamos em volume de vendas (se o compararmos com o e-commerce), porém, temos que observar dois lugares antes de afirmarmos que ele não funciona: para o futuro e para a base. Aqui, vale a pena conferir o relatório Webshoppers 26. ( veja o relatório 33° webshoppers )

Olhar para o futuro

Olhar para o futuro significa enxergar tendências de mercado e, acredito que usar as redes sociais para vender nem seja mais uma tendência, mas sim, uma realidade. Se pensarmos a na utilização dos recursos do Facebook para a promoção de vendas (o conceito de F-commerce, segundo Paul Marsden) podemos ter um ambiente muito mais interessante do que temos hoje. Com a profissionalização do mercado de mídias sociais, experiência que estamos adquirindo e a aderência dos pequenos e médios empresários ao Facebook, tudo indica que a rede social será tão importante quanto o próprio site da empresa para vendas e comunicação. Aliás, em muitos casos, já é!

Olhar para a base

Quando me refiro a olhar para a base, me refiro a olhar justamente para os pequenos e médios empresários, que estão à procura de soluções e alternativas para vender e lucrar pela internet. São eles que estão provando que o F-commerce funciona e que dá certo. Segundo Rodrigo Demétrio, do Facileme, “O aplicativo para vender pelo Facebook que oferecemos tem mais de 11 mil lojas cadastradas e ticket médio de R$168,00. Nosso principal varejista fatura em média, R$24 mil por mês. Não é um valor muito significativo se pensarmos no varejo tradicional, mas para um pequeno varejista que usa somente o Facebook para vender, acreditamos que seja um resultado muito bom, especialmente pela falta da cultura das compras pelo Facebook”.

A importância das PMEs se mostra forte em outros mercados, como nos EUA. A matéria “Pequenos varejistas abrem lojas no Facebook”, no The New York Times, nos escancara a realidade: o F-commerce não é uma ruptura para as grandes empresas, mas é uma porta de entrada muito importante para os pequenos varejistas. Como ressalta o texto “Pequenas empresas parecem ter mais sucesso no Facebook do que as grandes empresas, afirma Sucharita Mulpuru, analista de varejo da Forrester. Aqueles que fazem bem, em geral, têm menos de US$ 100.000 em receita e menos de 10 colaboradores. Gap, Nordstrom, JC Penney e GameStop, por outro lado, fecharam lojas Facebook nos últimos 12 meses, porque os consumidores estão acostumados com a experiência mais rica em sites de varejo.”

É aí que há falhas no momento de afirmar que o F-commerce não dá certo. Estamos jogando a peteca muito alto e afirmando que ele não dá porque muitos dos grandes players não investem neste formato de venda, ou os que investem, estão decepcionados. Para uma empresa que fatura 100 milhões por ano, faturar 100 mil com F-commerce realmente é uma tragédia, mas quem nunca chegou perto de faturar 100 mil? O que acharia de ter esse valor na conta?

A Cauda Longa

Uma teoria que deu base para a o e-commerce mostrar seu valor é, sem dúvida, a Cauda Longa, de Chris Anderson. Nela, Anderson mostra o valor dos nichos de mercado e aponta como as vendas pela internet podem expandir tanto o faturamento das empresas quanto os desejos dos consumidores. A ideia básica da teoria, para quem não a conhece é que:

De forma simplificada, o autor afirma que na Internet os nichos de mercado possuem seu espaço, pois é possível oferecer de tudo, tendo em vista que não há barreiras físicas no e-commerce, por exemplo. Por este motivo, os nichos de mercado podem se tornar tão lucrativos e vender tanto quanto os best-sellers. Ao vender pela internet, o custo para exibir um livro na tela do consumidor é muito barato. Se fôssemos deixar esse livro em uma prateleira em uma loja, o custo desse livro seria maior, pois teríamos que pagar o aluguel da loja, o atendente, impostos, salários e etc. A partir disso, é possível uma loja online vender milhares de livros e, por este motivo, contemplar exemplares não muito populares, mas que possuem compradores.

Explorar nichos e pequenos mercados é o que os pequenos varejistas já fazem no varejo tradicional. Há lojas só de camisetas, de vinhos, de brinquedos, de livros usados e assim por diante. É por isso que olhar para a cabeça da cauda e afirmar que o F-commerce não funciona, é uma posição unilateral, pois não se contempla demais áreas e setores que se beneficiam disso.

O F-commerce e suas ferramentas de venda são um grande impulso para quem deseja começar a vender pela internet. Com custos acessíveis, boas soluções de tecnologia e estratégias de marketing com baixo custo e feitas no próprio ambiente de vendas, considero que o ele seja muito importante e decolou para quem ainda voa baixo, mas não deixa de trabalhar para um dia, quem sabe, também achar que o F-commerce não dá o retorno que se esperava.

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