Audiência nas Mídias Sociais: O retrocesso e o vazio recompensado nas redes sociais

Redes Sociais | 16 Comentários

Estamos vivendo um momento muito interessante na comunicação e marketing. Depois de descobrirmos o “poder” da audiência nas mídias sociais, estamos em busca da melhor forma de aproveitar esse “poder” nos negócios. Todo esse movimento funciona em ciclos.

Primeiro vem a descoberta de uma novidade ou uma nova rede, o início da adesão, seguida pelo entendimento do “modus operandi” e, depois a corrida por audiência. Acredito que quando falamos de grandes empresas, estamos no ciclo da busca por:

audiência nas mídias sociais

Como profissional e consumidora tenho me preocupado com algumas modas que estão pegando nas redes sociais e, principalmente, em fan pages de grandes empresas. Basta dar uma olhada nas páginas com maior audiência nas mídias sociais para perceber a qualidade do conteúdo e a “infantilização” dos fãs.

Páginas com milhões de fãs promovem um conteúdo tão vazio, que fica até difícil entender como as pessoas curtem e ainda se interessam por ele. Neste ponto, acho que não devemos ser políticos e pensar:

“cada um faz o que acha melhor”

Não acho que empresas que têm o poder de mídia e comunicação que as líderes em audiência no Facebook têm, estão imunes ao compromisso com a qualidade do seu conteúdo.

Porém, o que faz com que este tipo de estratégia continue é a aceitação das pessoas e o engajamento delas com um conteúdo extremamente vazio. Por isso o retrocesso social vem à tona: ao invés de usarmos as redes sociais para realmente promover algo diferente, grandes marcas ajudam a promover o vazio e, o pior, isso dá certo.

Antes que você tire da cartola comentários preconceituosos como: “Brasileiro é uma desgraça”, “Aqui ninguém tá nem aí com qualidade” ou coisas do gênero, digo uma coisa: Oh wait!.

O enigma do retrocesso social parece ser global

Trazer este tema para discussão em nosso mercado foi uma iniciativa que tive a partir da leitura do texto “O enigma do retrocesso social”, escrito pelo genial Thomas Baekdal. A partir da leitura, pude perceber que esse é um problema global: o vazio recompensado. Na ocasião, Thomas avalia o caso da empresa Celeb Boutique. Em linhas gerais, a empresa foi extremamente estúpida ao se aproveitar do Trend Topic #Aurora para promover seus produtos.

Acredite se quiser

A hashtag #Aurora se tornou um dos temas mais populares do Twitter depois do massacre promovido dentro de um cinema na cidade com o mesmo nome. Se aproveitando do tema, a empresa Celeb Boutique teve a brilhante ideia de tuitar:

audiência nas mídias sociais
Fonte: Baekdal

O Tuite dava a entender que o tópico #Aurora no Twitter era proveniente de um vestido com o mesmo nome à venda pela empresa. Obviamente, muitas pessoas se mostraram impressionadas com a falta de noção da empresa, que desencadeou uma série de críticas.

A empresa pediu desculpas e disse que usou #Aurora em seu tuite, mas não sabia sobre o que a hashtag falava. Um erro grotesco e uma desculpa ainda mais patética. No entanto, Thomas chegou à conclusão que deu início ao seu texto e a este:

Empresas agem como idiotas, criam crises nas redes sociais e se tornam MAIS populares.

No gráfico abaixo é possível ver que depois do tuite desastroso, a empresa conseguiu mais seguidores!

audiência nas mídias sociais
Fonte: Baekdal

O que era de se esperar: uma grande crise de imagem. Porém, a falta de noção se torna um trampolim.

Podemos nos perguntar: “Neste caso, as pessoas podem ter seguido a empresa apenas para saber sobre seu posicionamento frente à crise”. Porém, mesmo depois das desculpas e solução do caso, as pessoas continuaram lá. Em situações de crise, esse argumento até pode ser válido, mas quando estamos falando de conteúdo cotidiano?

O problema é que casos dessa natureza ou do descomprometimento das empresas com conteúdo é amplamente recompensado pelas pessoas. Por que?

Por que empresas como a Arezzo, que foi divulgada de forma negativa nas redes sociais (por sua coleção de produtos de pele de animais) acabou faturando 40% a mais? O que leva as pessoas a aprovarem, recomendarem e curtirem esse tipo de comportamento? Principalmente, o que leva a dar audiência nas mídias sociais?

Mais #fail, mais fãs?

Alguns podem dizer que postar conteúdo divertido nas redes sociais dá resultado, mas com o passar do tempo, o que será feito com esses milhões de fãs que incentivam as marcas a não investirem em qualidade? Isso que eu nem mencionei a compra de fãs.

Ficamos tão felizes com a utilização das redes sociais para espalhar bons exemplos, boas práticas corporativas, cobrar por soluções, espalhar problemas sociais, facilitar nossa vida. O que será de nós profissionais se somente posts de “Curte vs. Compartilha” e frases de autoajuda ser o que realmente funciona?

Como profissional e por produzir conteúdo, realmente me preocupo com isso. Tenho medo de ver meus clientes cobrando esse tipo de interação vazia ou utilizar outros temas em discussão para autopromoção – porque que os fãs gostam – dominando um planejamento e relacionamento na comunicação corporativa.

Não nego que humor e temas mais “leves” precisam fazer parte da vida das pessoas para descontrair. Mas há um ponto em que é preciso virar a chave a ter uma visão mais crítica sobre o que nos impacta.

Gostaria de saber a sua opinião, tanto como profissional quanto consumidor:

O caminho a seguir é esse mesmo? Vale tudo na hora de conquistar audiência nas mídias sociais ou é melhor pisar no freio e rever e cobrar mais qualidade? As empresas atendem a demanda de conteúdo do seu público ou, a partir de mídia e garotos-propaganda, molda as pessoas ao seu conteúdo vazio?

Com informações Baekdal

Continue no Blog:

Para gerar qualidade na audiência nas mídias sociais e, principalmente, conquistar fãs que irão tornar-se clientes. Devemos traçar metas e objetivos claros!

Por isso, fiz um post aqui no blog falando sobre isso:

Metas e Objetivos: você sabe a importância de definir os seus?

QUER MAIS?

Todos querem gerar engajamento nas redes sociais. Afinal, assim conquista-se mais fãs, melhora o EdgeRank e ainda encontra novos clientes para a empresa.

Se você quer aproveitar todos esses benefícios da melhor forma possível, baixe gratuitamente meu e-book com 22 táticas comprovadas para aumentar o engajamento no Facebook.

Aprenda a bombar a sua empresa nas redes sociais, da maneira certa 😉

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16 Comentários

  1. Camila,
    Esse é sem dúvida o melhor artigo sobre o tema que já li. Diariamente me questiono as mesmas coisas. Parece que quanto mais idiota o conteúdo melhor. Esta aí AXE, Skol e Guaraná Antártica que não me deixam mentir. Cada vez mais tenho me distanciado da produção de conteúdo e assumindo mais projetos de Facebook Ads, Adwords, SEO justamente por odiar a publicação de coisas imbecis, mas que “dão resultado” aos olhos do cliente.

    1. Muito obrigada Aluysio. Realmente, a gente desanima, mas o que escrevemos na web deixa um rastro. Por isso, prefiro deixar um rastro bacana, do que um monte de bebês, gatinhos e besteiras. 🙂

  2. Camila,
    Esse é sem dúvida o melhor artigo sobre o tema que já li. Diariamente me questiono as mesmas coisas. Parece que quanto mais idiota o conteúdo melhor. Esta aí AXE, Skol e Guaraná Antártica que não me deixam mentir. Cada vez mais tenho me distanciado da produção de conteúdo e assumindo mais projetos de Facebook Ads, Adwords, SEO justamente por odiar a publicação de coisas imbecis, mas que “dão resultado” aos olhos do cliente.

    1. Muito obrigada Aluysio. Realmente, a gente desanima, mas o que escrevemos na web deixa um rastro. Por isso, prefiro deixar um rastro bacana, do que um monte de bebês, gatinhos e besteiras. 🙂

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